Eu desisti do meu sonho!

É verdade! Eu desisti do meu sonho. Isso pode parecer negativo, fraco, estranho, até me diminuir por falar publicamente que eu desisti do meu sonho. Ao contrário isso me fortalece, me motiva e por isso que eu escrevo este artigo.

Se por um lado tem muitos momentos de nossas vidas que esquecemos ou deixamos de sonhar por conta das dificuldades do dia-dia, por outro temos ondas de pessoas que nos recriminam por sonharmos sonhos diferentes e desistirmos de sonhos comuns.

Bom, vamos lá. Desde pequeno sempre sonhei grande, até porque sonhar pequeno dá o mesmo trabalho. Quando via o padre da igreja que eu frequentava na zona sul de São Paulo falando coisas positivas, motivando a comunidade, compartilhando o bem, eu me instigava e então sonhei em ser padre. Mais a frente meus sonhos foram mudando. Ao brincar com uma maquete de uma casa que o pai de um amigo estava construindo, comecei a sonhar em atuar na área de construção, seja como arquiteto ou engenheiro, queria poder construir coisas, transformar lugares. Anos após, me dava conta do meu pai chegando em casa em seu Sedan de luxo, com terno e gravata, ele era executivo de uma grande multinacional. Comecei a sonhar então em ser administrador de empresas e talvez por fraqueza esse foi o caminho que eu segui.

Fraqueza porque verdadeiramente eu decidi ser administrador porque parecia ser o caminho mais fácil. Quando adolescente, meu pai deixou a empresa que trabalhava e abriu seu próprio escritório. Para mim era mais garantido ir por esse caminho a tentar trilhar sozinho outros que, quem sabe, eu seria mais feliz.

Uma das coisas que eu desenvolvi intuitivamente foi um processo para tomada de decisões em minha vida que fossem mais assertivas e diminuíssem os riscos. Eu prefiro demorar em tomar uma decisão e arriscar perder uma oportunidade a tomar decisões precipitadas e me arrepender. Nossa vida é feita de decisões e dizer que é melhor se arrepender do que fez a se arrepender do que não fez, não é necessariamente uma máxima verdadeira.

Quando decidi ser administrador de empresas, decidi também sonhar em ser presidente de uma empresa. Queria ir ao topo, atingir o posto máximo e por conta disso fui me especializando em cada área e dando meu melhor. Comecei pela área de T.I., passei para operações e finanças, fui então para vendas, quando dê repente me dei conta que estava ficando pronto para assumir a responsabilidade máxima de uma empresa. Nesse exato momento parei e comecei a refletir sobre minha vida. Havia outros tantos sonhos que eu havia sonhado e muitos que eu estava realizando. Havia sonhado em casar, ter filhos, ter um lar gostoso, ter um carro bacana, viajar para vários lugares do Brasil e do Mundo, tudo isso estava acontecendo e o grande sonho de me tornar presidente de uma empresa estava se preparando para se realizar.

Me lembro como se fosse hoje, em meio às insônias semanais causadas pela pressão e stress, uma noite que me sentei no terraço de casa e comecei a pensar. E aí?! A presidência está chegando. Quando chegar, o que será da minha vida? Será que terei que ser presidente de uma empresa maior, e maior, terei que fazer as empresas que estou crescerem mais e mais, terei que dominar o mundo? Aquilo me parecia vazio. Ser grande por ser grande? Parece algo limitador, muito mundano, contra as regras naturais da existência. A regra natural é a regra do infinito e crescer apenas no material me parece obviamente finito.

Foi nesse dia que comecei a pensar no meu propósito de vida, o porquê eu existia. Isso faz 13 anos. Não é possível que minha vida seja delegada a um cargo. Tampouco a algo material. Pensei no que as pessoas falariam de mim no meu velório. Como eu queria ser lembrado? Qual legado eu iria deixar. Foi nesse dia que lembrei de uma indagação que eu fazia para minha mãe ao ver tanta gente reclamando da vida, tanta gente irritada no trânsito, nos relacionamentos, gente reclamando do trabalho, dos chefes, dos problemas financeiros, das relações, gente sem sorrir. Eu perguntava para minha mãe: “Por que as pessoas não eram felizes?”. Ao lembrar daquela pergunta, imediatamente e intuitivamente defini meu propósito de vida: Inspirar o maior número de pessoas a serem felizes!

Lembro claramente daquele dia. Foi libertador. Me deu uma energia totalmente diferente e um peso menor para todas as cobranças e medos que eu tinha. Não foi de um dia para o outro, exigiu muita disciplina e discernimento, mas o medo de ser mandado embora foi diminuindo pouco a pouco, obviamente com espasmos de desespero momentâneos, a pressão para ter que parecer algo para a sociedade foi perdendo força, passei a ser “mais eu” e “melhor eu” todos os dias.

Não fiz nada precipitado a partir desse dia, até por que como disse anteriormente prefiro demorar a tomar uma decisão a me precipitar, mas de ali em diante, comecei a aplicar meu propósito no meu trabalho, no meu dia-dia, comecei a estudar, refletir, escrever e gravar sobre felicidade enquanto eu continuava fazendo o que tinha me proposto até aquele momento.

A presidência chegou por duas vezes, uma no Chile aos 27 anos e outra no Brasil em seguida por 8 anos. Fui evoluindo em meu propósito enquanto me realizava mais e mais pessoalmente e profissionalmente. Fui me preparando e em 2015, quando a empresa que eu estava foi vendida, tomei a decisão de pedir as contas do cargo que tinha sonhado tanto. Desisti do meu sonho. Estava tão conectado comigo mesmo e preparado que aquilo que era meu maior medo, perder o emprego, passou a ser minha decisão. Algo muito louco! Nunca imaginaria no passado ter a coragem para fazer aquilo.

Durante o processo pós-identificação do meu propósito passei a sonhar outros sonhos, o de escrever um livro, o de dar palestras para multidões não mais pelas empresas que eu atuava, mas pelo meu projeto que teve o nome de “Discutindo a Felicidade”, sonhei também em vez de ser presidente, em ser sócio de uma empresa de vendas diretas, mercado que sempre atuei, entre outros.

Hoje, tenho meu primeiro livro lançado com justamente a pergunta que eu fazia para minha mãe: “Por que as pessoas não são felizes?” e já vendi milhares de cópias, tenho realizado palestras para milhares de pessoas em eventos empresariais e organizações, acabo de estrear um Stand Up Reflexivo FELICIDADE!, que na pré-estreia lotou o teatro, me comunico nas redes sociais e meios de comunicação e estou me preparando para lançar meu segundo livro este ano, que já está pronto. Em paralelo me tornei sócio de uma empresa de vendas diretas e realizei outro grande sonho, além de atuar como conselheiro no institui Aliança para o Futuro da Criança e ser Vice-Presidente do conselho de ética da Associação Brasileira de Empresas de Vendas diretas.

Minha vida mudou completamente. As preocupações e medos existem, e muitos, mas são diferentes e me impulsionam a ser melhor. Deixar de “estar” presidente, não me fez a menor falta já que há algum tempo eu havia percebido que eu tinha que “ser” o Mauricio enquanto eu “estava” presidente. Meu estilo de vida mudou completamente e sinceramente não me faz a menor falta os “luxos” do cargo que eu ocupava, até porque o preço que eu pagava era muito alto, a minha vida!

Qual o aprendizado que tive com tudo isso? Aqui vai:

– Desistir de um sonho não é necessariamente deixar de sonhar;

– Estamos em constante evolução, nunca pode haver um momento que digamos, pronto, chega, o dia que isto ocorrer é a morte e pior do que realmente morrer é deixar de viver;

– Precisamos nos conectar com nossa essência continuamente. Identificar onde estamos e para onde queremos ir;

– Nossa vida é feita das decisões que tomamos e por isso temos que desenvolver uma habilidade grande para este processo;

– Quanto mais convictos de quem somos e do que queremos, menos nos importamos com o que os “outros vão pensar”, com isso somos mais e melhores nós mesmos e mais felizes;

– Não há sonho certo ou errado, tem que haver o seu sonho e quanto mais legítimo, mais impulsionará a sua felicidade;

– Não devemos pensar em ter ou não ter desafios, mas sim em como lidar com eles e se estamos conectados eles nos farão melhores;

– Por último, aprendi que deveria deixar de sobreviver e viver a vida, viver a minha vida e ser eu mesmo e melhor eu mesmo. O mais importante é que quando deixamos de viver para os outros e vivemos de forma responsável nós mesmos as pessoas param de nos julgar e começam a nos incentivar.

Mauricio Patrocinio foi executivo durante mais de 20 anos chegando à presidência de empresas por três vezes antes dos 40 anos, uma no Chile outras duas no Brasil nos últimos 8 anos antes de pedir demissão em 2015. Hoje é escritor e comunicador pelo projeto Discutindo a Felicidade, autor do livro “Por que as pessoas não são felizes?” e preparando seu segundo livro para lançamento em breve. Realiza palestras Discutindo a Felicidade e a mais recente e impactante FATOR F. Realiza seu Stand Up Reflexivo FELICIDADE!, atua nos meios de comunicação e mídias sociais.

Mauricio hoje é Presidente da VivaAres, seu novo sonho sendo realizado e também membro do conselho do Instituto Aliança para o Futuro da Criança, DOS ANJOS.

Contatos:

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